Profecias. Poesias. Majeshara

Literatura "Maldita"_Filosofia & Poesia_ Há Muito Encantamento Naquilo Que Não Se Vive. Mas Muitos Outros Naquilo Que Vivemos. by sANdrA adriana fasolo


O que Michael e Lennon poderiam ainda realizar pelo mundo se aqui estivessem? O planeta Terra não é estranho? Que sim, que é dos mais estranhos e isso porque é apenas um planeta intermediário entre tantos outros (falando deste Universo, não incluindo aí os outros Universos...) estamos numa esfera intermediária de vida e de evolução. Pode ser que as outras esferas, as que são menos evoluídas e as que são mais evoluídas se cansem da Vida que aqui se passa, talvez o Planeta Terra esteja sendo constantemente observado. De onde menos se espera é que as coisas surgem, aparecem, tudo virá de fora em formato de ‘Janela Indiscreta’?, tomar o que ainda resta de bom por aqui. Eu não recriminaria, de jeito nenhum. Algumas pessoas teriam opção de escolha para permanecer ou não, Obama com certeza seria tratado com todo respeito_ 'na paz' por assim dizer.
Talvez Lennon voltasse, quem sabe, Michael, Raul Seixas, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King, Gandhi, Nostradamus, Joana D’Arc, Platão, ora, por quê, não? Um Apocalipse que trouxesse de volta os iluminados. Um Apocalipse que levasse embora os que nunca serão iluminados porque não possuem mais nenhuma chance de ‘regeneração’ espiritual, ética, moral ou simplesmente: de humanidade, o que resume de um todo a natureza humana. Por isso é louvável amar a Vida antes de desejar a Paz, eu, por exemplo, não consigo o despojamento de pensar que todos podem 'mudar' aquilo que se tornaram há um longo tempo, eu amo a Vida por partes. Quem entende? Quem entende a Vida em demasia sabe com seu próprio coração da impossibilidade de um Apocalipse que culminasse com a Terra nas mãos dos Bons. Platão já possuía ciência disso tudo, sequer pronunciou Armagedon em seus Diálogos, e precisava? Admiro ainda mais os esforços de Obama pela Paz Mundial porque quanto mais o tempo passa e quanto mais o homem julga que este é o único planetóide do universo, mais complicada fica qualquer situação com origem humana. Eu perguntaria a Obama: É possível que 'os iluminados' retornem e se juntem aos que desejam a Paz hoje? Ele responderia que não cabe nada surreal num mundo tão real em sua sincronia invertida de diferenças e desigualdades e talvez falasse em ambição e soberba e inveja e maldade dispersas pelas intenções e atitudes dos seres humanos, mas com certeza diria que lida com um mundo muito muito real e 'mostraria' os que estão aqui agora. Despencaria (eu) no ceticismo: eis, não haverá a possibilidade de paz mundial, nunca houve, jamais existiu, todo mundo pode ver isso na história da humanidade, egípcios, gregos, romanos, e se quiserem evocar Darwin, que evoquem, nem nos símios ou no elo perdido houve paz mundial, por que haveria agora?, quando quase tudo e quase todos estão bem piores do que na época do tal elo perdido? Um mundo em que um escritor brilhante e sensato e lúcido como Saramago chama o atual Papa de cínico não deve ser um bom lugar para se viver (porque creio em Saramago). Quando não é uma coisa é outra, quando não é a guerra é uma peste, epidemia, pandemia, quando não é algo estrondoso, é um algo mais individual mas assim mesmo disseminado na forma de inconsciente coletivo que de gota em gota faz transbordar as ‘paredes’ da Terra. Imagine a Paz, imagine a cena: ‘você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único...’, diria John Lennon para Obama, eles sorririam um para o outro como um acordo mútuo dos que compartilham amor pelo Universo, Lennon inventaria ali mesmo uma berceuse (palavra linda) para ninar a nova Paz (já que as antigas não deram certo cantemos uma nova paz através de outra invenção lírica), Obama improvisaria um belo discurso e para não sair fora do acordo falaria sim da nova Paz e de um jeito novo de ninar o mundo. Talvez só falte isso: ‘ninar’ o mundo todos os dias um pouquinho como no diálogo da raposinha e do pequeno príncipe sobre a amizade, o amor, o cativar. Alguém já sentiu vontade de cativar o mundo?, e a Vida?, ou só se cativa aos que vivem-palavras?
É que foste iluminado, Michael


É possível algum tipo de escrita sem impelir ao movimento?, movimento mental, sensorial, de percepções, sentires, dizeres em nós mesmos, é possível? — pergunto a ele, dizendo, ‘aqui ficaria tudo mais charmoso com as tuas respostas de rara inteligência.’
Embora meu amor e meu ceticismo pelo que as palavras possam significar em nossas vidas, admito que o lado quase 'sagrado' com que elas nos dão algumas coisas se assemelham muito com imagens, de um jeito ou de outro as palavras nos permitem trazer de volta cenas do passado, elas vêm junto com a cena, claro que sim (ou não?), ou a cena vem primeiro e depois a linguagem formal?, ou é esta que surge a princípio para depois ressurgir a cena? Eu não sei. Tu o sabes? Em todos os 'acasos', palavras & imagens me fascinam. Penso nisso há anos. E sou a minha melhor 'experiência'.
Buscar uma palavra que me diga naquilo que foi sentido num muito antes do instante de dizê-lo/dizer-me é sempre um a posteriori de signos perdido no tempo. E aqui, não tem ninguém equivocado, só eu, com as palavras-explicadoras que surgem depois, posteriormente. Para confortar com explicações formais, forma de substituição. Escrever é sempre substituir vida, é assim que vejo a literatura, a filosofia, a escrita, a fala, o mundo girando nessa bagunça em que há muitos dizeres, milhões deles em cada átimo, a escrita é sempre tardia e substituidora de vida. Por isso amo os cães, eles não sabem substituir vida. A literatura seria então maldição ou salvação à vida substituída? Que sim, que não, lembrarei sempre da distância entre intenção e gesto, a intenção da substituição e o gesto que o realiza: a escrita, o escrever, o dedilhar de signos. Senão existisse música o mundo seria mais doente e equivocado, o som de um órgão, como em Migala, nos faz mesmo desejar: “queria que alguém entrasse em minha vida como um pássaro entra por uma janela causando caos e destruição...”, na música pedimos tudo porque até mesmo o desejo de caos, o já substituído em palavras, será outro que não aquele do caos vivido. A música fala de uma espécie rara de substituição e todos amam este tipo de substituição e não se importam com as diferenças de gestos porque qualquer que seja tem o poder imenso de diminuir a distância que canta. Ele me confessou, lá as palavras não explicam a vida, é de outra coisa que falam, me advertiu o profeta. Voilà! Que espero demorar para passar lá, curiosidade substitui vida em formas outras. Wittgenstein substituiu assim o seu viver: “os limites de minha linguagem são os limites do meu mundo.” Substituí assim em minhas distâncias particulares: os limites de minha linguagem são os limites de minha substituição de mundo, por isso eu creio, se não tiver vivido terei pouco a substituir, muito pouco. Para alguns quase nada. Para outros, quase tudo. Para os que amam: tudo. Para os poetas que sutilizam a vida em argilíneas, tentaremos substituir a vida que há em seus versos numa outra distância e num outro gesto, que gesto de poesia é contundente em anunciação de imagens. A substituição pertence aos concertos que falam de solos em aves em céu aberto em versos argilíneos onde nome algum diz. Nome que argila não substitui vida: aumenta.