quarta-feira, fevereiro 06, 2013

A Baudelaire, ainda Baudelaire

quarta-feira, setembro 01, 2010

Profecias. Poesias. Majeshara

... acabei de escrever para um Poeta que os Profetas são imensamente poéticos; profecias são poesias puras; poesias puras_ podem ser como profecias...
"Inexplicável que eu, sendo eleita imortal, tenha passado toda a minha vida terrena tentando compreender o que é a morte."
Madame Majeshara Magdavlena

quarta-feira, agosto 25, 2010

"És meu astrolábio"

Por que tantas dádivas?

'Porque assim Eu quis. És meu astrolábio.'

*sandra (lendo o Poeta Persa Rumi, místico do século XIII & o Alcorão)

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* um blog lindo em poesia e imagens*

quarta-feira, agosto 11, 2010

ALCORÃO


"Deus não muda o destino de um povo até que o povo mude o que tem na alma." — 13:11.
ALCORÃO
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Imagem retirada do site IR
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domingo, agosto 01, 2010

Deus não pisca

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DEUS NÃO PISCA

Atravessei instantes de misticidade & deidade sem mediação química. Eu vi uma Face com Olhos que não piscam nunca, eu vi Olhos que eram de um azul marinho inexistente_aqui_ para nós, os frágeis humanos, & vi que o Poder Divino é imenso e nada parecido com o que nos ensinaram ao longo dos séculos & séculos & compreendi a razão pela qual Ele não mostra sua Face & que nada é por acaso. E que as explicações dadas estão tão distantes daquilo que ‘é’ que só consigo lembrar de Saramago descrevendo uma cegueira branca onde um ‘guia’ (uma pessoa que ainda pudesse enxergar em meio aos cegos) não conseguiria ajudá-los em sua sobrevivência porque a primeira manifestação do caos é sempre o primitivismo, sobre o qual um possível guia que tivesse a luz no lugar da cegueira branca, não conseguiria conter, esclarecer, dar uma direção de vida e sobrevivência a todos os outros. Um guia que visse em meio a milhões de cegos seria como um ponto de luz perdido no universo ou como uma estrela que fazendo parte de uma constelação é a última a se apagar, a última a morrer. O guia, portanto, tem certa predileção divina, será sempre o último a partir, se partir, o testemunho de que um dia existiu uma constelação_ se é que a metáfora de imagem ficou passível de uma analogia à humanidade.

Deus não pisca: foi o que vi.

Não sabia como ordenar a visão. Lendo o texto da Coluna Espiral/G1 ficou tudo tão claro, como a luz dos olhos que nunca, jamais em tempo algum piscou uma única vez sequer. Diz o texto: “Diversas vezes ao dia piscamos o olho. Em teoria, a cada piscada experienciamos um momento de completa escuridão. A cada minuto, temos 6 segundos de completa escuridão que, somados por toda a vida, seriam alguns anos passados no escuro, inconscientes mesmo estando acordados. (preciso interromper esta parte para dizer que Saramago teria adorado esta ideia do autor) Por que isso acontece? A ideia é que o cérebro interpreta a piscada, editando os momentos escuros da nossa experiência. (...) As piscadas funcionariam como uma forma de pontuação mental. Uma idéia certamente atraente, mas sem nenhuma base científica’.

Deus não pisca: e não está preocupado com bases científicas, deve se rir com isso, uma faceta do desespero humano em provar a qualquer custo o que não lhe chega aos ‘olhos’, os humanos piscam o tempo todo e (contrariando o autor) eu diria que sempre nos momentos vitais. Alguns ‘piscam’ de olhos bem abertos, às vezes sem escolha, às vezes anestesiados, entorpecidos, adormecidos ou embebidos em verdades oriundas de ojos cerrados mil vezes, verdades humanas vistas por uma fresta de luminosidade, eis Deus rindo disso tudo sem piscar, claro. Para os poucos que saem do estado entorpecido há um caminho trilhado (já vivido, portanto) preenchido por piscadas-dormentes e como se sonâmbulos fossem, estes se perguntarão: mas, por que tudo isso? A resposta não está longe, antes que pisque 3 vezes, muito será negado, em vão.

Se as piscadas funcionam como vírgulas no cérebro (ou como diz o autor no texto como forma de pontuação do pensamento), e se Deus não pisca nunca, então Ele não possui ‘vírgulas’ ou ‘pontos’ mentais e não haveria passado de escuridão em sua memória, nada escapou ou escapa aos seus olhos, tudo vê & tudo sabe sobre os fragmentos que a humanidade deixa escapar pelos diversos tipos de cegueira, a histórica (ou o não ter estado aqui em outras épocas e tendo que acreditar que aquilo que nos chega é de fato a forma como aconteceu, sabemos que não é bem assim), a escuridão existencial, espiritual, intelectual, para cada piscada um final ‘al’. Bem, de outra forma, poderíamos dizer simplesmente que se Deus não pisca e sem nenhum átimo de escuridão em sua Memória Divina, a humanidade está perdida. Fico imaginando uma Memória Divina com tudo que os seres humanos já fizeram neste Planeta uns aos outros, de repente está lá Deus, na esfera de luz do seu Universo, lembrando que em 14.... enquanto Nostradamus escrevia suas centúrias, atrocidades e pestes e doenças assolavam uma parte do planeta; ou dizendo ‘meus filhos’, isso que acabaram de inventar não veio de minha esfera, veio do outro lado, como são cegos, não vêem o que o futuro fará com ‘isso’? O livre-arbítrio segue, assim como segue minha memória que tudo lembra. Eu não pisco, diria Deus, e, por isso, dei aos homens dois atos aos quais não atribuí livre-arbítrio: estão condenados a fecharem os olhos ou por piscadas ou pelo sono que vem e há de vir todas as noites, para alguns, todos os dias & cada vez mais, para outros.

Enquanto a humanidade for fraca continuará piscando e vivendo a escuridão, cegos em doses homeopáticas.

Mas, para alguns, como se eleitos fossem, talvez as piscadas funcionem de outra forma, inversamente, como um retorno breve, como um lampejo metafísico ao que se passa, sim, ao que se passa, a própria vida. Enquanto Deus não pisca nunca, nós piscamos ora para ir ao sono ora para ir ao que já vive em nós. Pisquemos, pois Deus, sábio, não nos fez sem o ato de piscar. Talvez quando estivermos evoluídos, longe dos atos primitivos, ele permita uma redução de piscadas e em troca nos dê ainda revelações dos séculos passados. Ou, talvez, o mimo venha em forma de visões apenas com um toque de pálpebras fechadas, alguns serão capazes de revelar segredos milenares com um simples cerrar de olhos momentâneo, por exemplo, o Visionário revelaria o verdadeiro túmulo de Cristo onde provavelmente se encontra a coroa de espinhos e a cruz de sua crucificação e, ao lado, pasmem!, o túmulo de Maria Madalena, e não é que ela não fora exilada e estão os dois lado a lado?! E todo o ambiente cuidadosamente decorado com jarros e papiros antigos, e descobrirão lá o Diário que ambos escreveram juntos, eis, Cristo que ao lado de Sócrates nada escrevera!, e seu Diário de mil papiros em jarros & jarros cobertos com mirra & incenso e tudo tão diferente do que pensamos que era a verdade, ora veja! E, quem sabe, o Santo Sudário não esteja a envolver o corpo de Maria Madalena? Tudo seria visto sob uma nova luz. Assim, a ‘fechada’ momentânea de olhos viria em formato visionário de segredos que fariam as pessoas abrirem bem seus olhos rezando para não piscarem em tal momento para depois chorarem revelações. Por enquanto, vamos vivendo com os olhos tipo asas de borboletas batendo ao mesmo instante, o que não faz lá tanta diferença, contínua oscilação entre o ‘ver’ (que nem é tão ‘ver’ assim) e o ‘não-ver’ involuntário,

Há chegado o tempo & será dito: Que o Senhor Deus te repreenda pelos teus atos.
É que Ele pode entende?, tudo sabe, tudo vê, sem passado de escuridão em sua Memória Divina. Ah, Ele deve estar com uma vontade enorme de ‘descarregar’ esse power-drive e recomeçar do zero_ uma só Piscada Divina e tudo e todos cairiam no mais profundo vazio. Vai ver a vida na Terra principiou por uma piscadela e se foi involuntária, uma distração divina, digamos assim, tanto pior (dispensa explicações).

Minha pergunta é: Deus, falta muito para uma primeira piscada? E depois, se houver uma segunda e uma terceira e uma quarta piscada, o que estará por vir?
* (... tentando não piscar, e se a resposta passar pelos meus olhos mentais e/ou não mentais e eu estiver imersa na ‘escuridão’?, que não posso estar entorpecida, não posso, me avise, sim, Deus, se & quando será isso... )_ será que pedi demais?
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sandra adriana fasolo
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quinta-feira, julho 29, 2010

O Paraíso talvez principie...

Talvez o Paraíso inicie por um ramo de salsa.
As outras coisas a cercar a Vida & o Mundo: je ne sais pas (plus).
E se tu souberes, ah, que as diga, todas, e se tu puderes, ah, que as revele todas,
do contrário,
Apenas & Tão Somente,
Salve,
Salve em Silêncio.
O Paraíso principia por um Ramo de Salsa.
* Para Alecrim, que sentiu com a Alma o que significou a resposta sobre:
"Como será que o Paraíso começa?"
*
sandra

quarta-feira, outubro 21, 2009

Imagine a Paz. Obama Nobel da Paz

(* Já me arrependi de ter escrito este texto, um Nobel da Paz que vai perpetuar a onda destruidora & imperialista-bélica dos EUA contra o Oriente Médio?, ... não tem mais o que destruir no Iraque, escolhem outro país, no caso, o Irã, pois é, 'imagine a paz' fica mesmo só na imaginação...)
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Imagine a Paz
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Barack Obama recebeu a notícia do Nobel da Paz no mesmo dia em que John Lennon nasceu_ dia 9 de outubro. Seria coincidência que Lennon tivesse cantado a Paz e Obama a representasse para o mundo inteiro no dia 9 de outubro? Seria como naquela espécie de acaso que vem pelo branco-alado-símbolo? John Lennon e Michael Jackson amaram a Paz. Obama ama a Vida, a mesma que Michael cantou: "Pense nas geraçãos e elas dizem: Queremos fazer deste um lugar para nossos filhos e os filhos de nossos filhos. Para que eles saibam que este é um lugar melhor para eles; e pensem se eles podem fazer deste um lugar melhor" (Heal de World). John Lennon liricamente dizia algo semelhante: “Imagine um mundo....” A imagem de Lennon & Yoko poderia ser a imagem do Nobel da Paz. A imagem de Obama lembra imagem de Justiça, discursa e toma decisões em direção à Paz, mas, como ele mesmo disse, não nasceu numa manjedoura o que significa dizer que mesmo os EUA sendo ‘Os EUA’, não conseguirão soluções milagrosas se o mundo inteiro não compartilhar a intenção de um mundo melhor. Para amar a Paz precisamos amar antes a Vida. Obama está no caminho da manjedoura? Ilações à parte, imagine a paz.
O que Michael e Lennon poderiam ainda realizar pelo mundo se aqui estivessem? O planeta Terra não é estranho? Que sim, que é dos mais estranhos e isso porque é apenas um planeta intermediário entre tantos outros (falando deste Universo, não incluindo aí os outros Universos...) estamos numa esfera intermediária de vida e de evolução. Pode ser que as outras esferas, as que são menos evoluídas e as que são mais evoluídas se cansem da Vida que aqui se passa, talvez o Planeta Terra esteja sendo constantemente observado. De onde menos se espera é que as coisas surgem, aparecem, tudo virá de fora em formato de ‘Janela Indiscreta’?, tomar o que ainda resta de bom por aqui. Eu não recriminaria, de jeito nenhum. Algumas pessoas teriam opção de escolha para permanecer ou não, Obama com certeza seria tratado com todo respeito_ 'na paz' por assim dizer.
Talvez Lennon voltasse, quem sabe, Michael, Raul Seixas, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King, Gandhi, Nostradamus, Joana D’Arc, Platão, ora, por quê, não? Um Apocalipse que trouxesse de volta os iluminados. Um Apocalipse que levasse embora os que nunca serão iluminados porque não possuem mais nenhuma chance de ‘regeneração’ espiritual, ética, moral ou simplesmente: de humanidade, o que resume de um todo a natureza humana. Por isso é louvável amar a Vida antes de desejar a Paz, eu, por exemplo, não consigo o despojamento de pensar que todos podem 'mudar' aquilo que se tornaram há um longo tempo, eu amo a Vida por partes. Quem entende? Quem entende a Vida em demasia sabe com seu próprio coração da impossibilidade de um Apocalipse que culminasse com a Terra nas mãos dos Bons. Platão já possuía ciência disso tudo, sequer pronunciou Armagedon em seus Diálogos, e precisava? Admiro ainda mais os esforços de Obama pela Paz Mundial porque quanto mais o tempo passa e quanto mais o homem julga que este é o único planetóide do universo, mais complicada fica qualquer situação com origem humana. Eu perguntaria a Obama: É possível que 'os iluminados' retornem e se juntem aos que desejam a Paz hoje? Ele responderia que não cabe nada surreal num mundo tão real em sua sincronia invertida de diferenças e desigualdades e talvez falasse em ambição e soberba e inveja e maldade dispersas pelas intenções e atitudes dos seres humanos, mas com certeza diria que lida com um mundo muito muito real e 'mostraria' os que estão aqui agora. Despencaria (eu) no ceticismo: eis, não haverá a possibilidade de paz mundial, nunca houve, jamais existiu, todo mundo pode ver isso na história da humanidade, egípcios, gregos, romanos, e se quiserem evocar Darwin, que evoquem, nem nos símios ou no elo perdido houve paz mundial, por que haveria agora?, quando quase tudo e quase todos estão bem piores do que na época do tal elo perdido? Um mundo em que um escritor brilhante e sensato e lúcido como Saramago chama o atual Papa de cínico não deve ser um bom lugar para se viver (porque creio em Saramago). Quando não é uma coisa é outra, quando não é a guerra é uma peste, epidemia, pandemia, quando não é algo estrondoso, é um algo mais individual mas assim mesmo disseminado na forma de inconsciente coletivo que de gota em gota faz transbordar as ‘paredes’ da Terra. Imagine a Paz, imagine a cena: ‘você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único...’, diria John Lennon para Obama, eles sorririam um para o outro como um acordo mútuo dos que compartilham amor pelo Universo, Lennon inventaria ali mesmo uma berceuse (palavra linda) para ninar a nova Paz (já que as antigas não deram certo cantemos uma nova paz através de outra invenção lírica), Obama improvisaria um belo discurso e para não sair fora do acordo falaria sim da nova Paz e de um jeito novo de ninar o mundo. Talvez só falte isso: ‘ninar’ o mundo todos os dias um pouquinho como no diálogo da raposinha e do pequeno príncipe sobre a amizade, o amor, o cativar. Alguém já sentiu vontade de cativar o mundo?, e a Vida?, ou só se cativa aos que vivem-palavras?
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Por enquanto vamos continuar esperançosos: que o 'Nosso Nobel da Paz-Obama' continue a amar a Vida. Nosso?, mas claro, agora representa a esperança de Paz para o mundo todo. O mundo todo?, yes, todos podem. Todos?, sim, sim, não esqueçam de incluir os habitantes dos outros planetas (aquém e além), todos, menos alguns. Existem pessoas que nunca saberão desmetaforizar o ‘ninar o mundo’ em direção às atitudes reais, possíveis, de vida verdadeira: ‘... e pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz (...) vem me dê a mão agora a gente já não tinha medo, no tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido/pra lá deste quintal/era uma noite que não tem mais fim/...” (Chico Buarque)
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Ops!, que ‘fim’ lembra atualmente Apocalipse e a última palavra que há na Bíblia Sagrada é 'Amém'.
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Au revoir_ que sim, que vou 'ninar' os Livros Sagrados
sansan

quarta-feira, setembro 09, 2009

Das Suavidades Inexplicáveis


Jantar numa enorme mesa redonda. Vista lá do alto de onde podíamos ver todas as luzes da cidade. Terraço onde muitas pessoas foram se sentar após o jantar. Um grupo começou a tocar violão e a cantar. Um vento muito frio lá em cima. O músico com voz doce me empresta seu casaco carmim. Sinto a sensação do tecido de seu casaco sobre minha pele como sensação-doce, parece um manto. Meu namorado volta e fica com ciúmes, faz eu tirar o casaco e devolver ao músico de voz doce. A sensação agora é de 'abandono'. Fico muito triste & nada mais me aquece, embora esteja agora com o paletó de meu namorado. Já não tenho a mesma sensação. O músico canta uma música linda como se a voz de um anjo estivesse acompanhando a voz do vento que sopra, se o vento fosse a companhia de uma pessoa neste mundo com certeza seria a sua, a do músico com voz de anjo. Pergunto o nome da banda, mas as respostas não são claras e eles não falam português. Eu me pergunto como eles não são conhecidos ainda, foi lindo demais tudo que ouvi. Por alguns instantes senti assim: "eu me deixaria levar, conduzir para qualquer lugar se ele continuasse a cantar. Enfeitiçava sensações, talvez também as adormecidas há milênios. Havia uma energia se misturando com a voz do vento e isso fez com que eu me lembrasse de uma passagem do Apocalipse, 'A mulher vestida de sol', e penso que ali é um lugar a lembrar voos de águia, asas, pouso, nuvens, ventos soprando suas vozes meigas. Como se o Universo, por instantes, entoasse uma berceuse celebrando palavras antigas, rostos já conhecidos, vidas outras, Universo a amar cantigas de ninar. O músico de voz doce sabia sobre tudo? Que sim, que ele sabia. Mas por que fiquei eu com sensações inexplicáveis durante tanto tempo? Todo o tempo.
*
Eu nunca mais me senti protegida como naquela noite. E nunca mais pensei no vento soprante. E nunca mais ouvi uma voz tão suave. E nunca mais os vi.
*Assim, as lembranças.
sandra

sábado, setembro 05, 2009

Barack Obama & Bo

Amei esta imagem: Obama (do qual fiquei fã, não sem surpresa porque depois da passagem de Platão pela Política Grega eu não me interessava em nada sobre este assunto, Política era para mim o outro lado de outro ponto cego que a humanidade 'necessita' viver, um avesso do avesso da Literatura, da Poesia, das Artes Plásticas & da Forma como eu "vejo" a Filosofia, mas os discursos de Obama são brilhantes, não há como não se encantar com suas palavras). A imagem traz também o Cão D'água Português (Fernando Pessoa, será que teve algum cão d'água de estimação?) O movimento da imagem é lindo, Obama, Bo, corredor, busto no final (de quem será?), as janelas de vidro, a luz, o sol, o ir, os passos, a companhia fiel de Bo. Estão de costas, adoro imagens como esta, pois faz nascer uma sensação no dentro de nossa percepção de que haverá uma virada de rosto e veríamos então a expressão leve, alegre, de Vida como imaginamos que exista no "movimento" simulacrado, no não-mostrado. Na verdade, tal impressão não se concretiza na imagem, é claro, mas para mim é isso mesmo que imprime encanto à fotografia: ficamos com a sensação de que haverá um movimento, uma virada de face e veremos repentinamente um sorriso, isto talvez dê à imagem um duplo movimento de beleza artística: aquilo que a imagem desvela/mostra & aquilo que sugere. Aqui, desejaríamos poder observar, porém não é possível a não ser pela imaginação dentro da sensação. Por isso, sinto que a sensação sem a imaginação não faz um grande talento se desvelar (parece que brinco com Kant?, pode ser, já nem lembro mais da KrP), é que começo a entender porque alguns discursos são racionalmente inteligentes enquanto outros transcendem o apenas "eu penso". Mas o que tem a ver a linda imagem com os discursos de Barack Obama? Além de cativantes, as palavras de Obama soam como obra de arte da escrita, da possibilidade de mediar o pensado, refletido para a esfera do dizer ao outro. E dizer com "esperança" de que o mundo pode ser algo melhor do que este que vivemos. Assim, Obama.
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Será que Bo é tão sensato quanto Barack Obama? Será que Obama possui tanta sensibilidade quanto o Cão D'água Português? Será que haverá uma outra fotografia de ambos no mesmo corredor com a mesma luz, correndo, no entanto & desta vez, em direção ao nosso olhar?, e à sensação incompleta que a primeira imagem nos reservou?_ aqui temos um 'modelo', sobre a Esperança, via mundo das abstrações onde também existe arte, poesia, luz & transcendência. Deve ser daí que a Esperança retira sua força: do primeiro movimento a sugerir outro movimento, no caso, outra imagem. Contudo continuo eu a me perguntar: de onde a esperança deve retirar continuamente sua força?
"... e habitou entre nós (...) cheio de graça e verdade."

Essa citação ilustra a imagem além de todas as derivações. A diferença é que a citação já existia há séculos e séculos antes do instante da fotografia: muitas coisas milenares já foram ditas e continuam vivas. Só dependem de habitar com 'graça e verdade' & para alguns isso é leve, suave, natural. Michael Jackson foi assim.
Assim "vejo" Barack Obama.
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sandra

sexta-feira, julho 31, 2009

Michael Jackson: Preciosa Lembrança (talvez não-verdadeira)









... (a esperança de uma lembrança é a última a nos abandonar...)
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A morte de Michael Jackson também me tocou imensamente, passei a ler tudo o que eu conseguia na web, assistir aos clipes, ler as legendas já que não conheço inglês, entrar em fóruns, leitura do Moonwalk, entrevistas, tudo que me foi possível para conhecê-lo um pouco mais. Estou dizendo isso porque o meu texto que segue poderia ter tido origem num grande desejo de tê-lo visto uma única vez e que a pessoa que estava no elevador panorâmico no centro de Lisboa em julho (ou agosto) de 1997 não era ele. Mas, eu desejo acreditar. Além disso, não fomos nós (nem eu e nem o Charles) que colocamos a hipótese de que um dos turistas, que estava dentro do Elevador de Santa Justa junto com a gente, fosse o MJ. Quem ficou na cisma que era MJ foi a filha do CK quando viu uma das fotografias, mas nós já estávamos em Porto Alegre. A Maíra é Jornalista e Exímia Fotógrafa, pelo que eu sei, faz muito tempo que não a vejo, então, pelo amor que ela sempre teve por fotografias, talvez ainda tenha consigo pelo menos o negativo do passeio que descrevo abaixo.
(nada que está escrito aqui é ficção, apenas associei a descrição do que aconteceu no passeio com a 'cisma' da Maíra e agora estou eu aqui, cismadíssima!)
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Em 1997 eu era companheira de um escritor gaúcho bastante conhecido, o CK, que foi convidado para ir palestrar e autografar sua obra na cidade de Viana do Castelo, norte de Portugal. Depois de Viana fomos a Santiago de Compostela, em seguida voltamos para Portugal e fomos até Lisboa, pois queríamos visitar o túmulo do Fernando Pessoa no Mosteiro dos Jerônimos. Fomos a vários lugares em Lisboa, é uma cidade linda, eu dizia o tempo todo: vamos vir morar aqui, CK?, ele dizia que os portugueses eram muito deprimidos e que eu me identificara com isso porque na época eu era um tanto deprê (as fotos não desmentem, é verdade). Bem, nós tínhamos em mãos um roteiro de lugares imperdíveis de serem visitados que o escritor Assis Brasil havia gentilmente nos passado, o roteiro era dele para quando uma de suas turmas de Oficina de Literatura quisesse ir a Portugal, o Assis ia junto e tinha então em mãos um belíssimo roteiro de viagem e nós estávamos tentando seguir para ver muito em pouco tempo. Dedicamos um dia para andarmos somente pelo centro de Lisboa, incluía o famoso Elevador de Santa Justa onde há o terraço de onde se vê a Lisboa de vários ângulos e de uma altura considerável. As pessoas chegam e vão entrando em um dos elevadores que leva ao terraço, eu lembro que na nossa ‘viagem’ havia um casal ao meu lado, um senhor na minha frente com um cachorro cocker, havia um rapaz bem na minha frente, alto, magro, com um rosto bonito e um sorriso que ia e vinha, pensei que devia ser filho ou amigo do casal que estava ao meu lado porque trocaram palavras ´rapidas em inglês. Lá fora, já no terraço, ficávamos circulando para ver Lisboa de todos os lados possíveis e tirando fotografias. Aconteceu que nessa circulação acabei parando ao lado do rapaz, acho que ele usava boné e óculos, ele se virou para mim e disse: “beautiful”, eu respondi em português: “lindo”, ele fez algum gesto ou disse algo onde me permitiu compreender que ele não entendera o que eu dissera, então repeti as duas palavras para sinalizar que significavam a mesma coisa: “beautifull-lindo”. Estávamos bem em frente ao Castelo de São Jorge, outro lugar muito visitado e que é possível ver lá do alto das torres/terraços do elevador. Não sei ao certo o que tentamos falar depois, mas eu não falava inglês, apenas conhecia algumas palavras, e ele não falava português. CK se aproximou e queria saber o que estava havendo, é que ele é fluente em inglês, expliquei a simples troca de palavras que se referiam à vista maravilhosa que tínhamos de Lisboa lá do alto. Em seguida CK bateu uma fotografia de mim, como estávamos ainda perto do 'desconhecido', ele também saiu na foto. Depois de chegarmos ao Brasil e revelarmos as fotografias (não tínhamos digital naquela época), a Maíra, filha do CK, olhou para esta foto em que eu estou no terraço do elevador, com o desconhecido um pouco atrás, talvez ele estivesse um pouco de lado, e cismou que fosse Michael Jackson. Nós olhamos a imagem e eu não sabia dizer, até porque fazia muito tempo que não via uma foto de MJ, o Charles também não soube dizer, mas lembro que a Maíra dizia: “meu deus, é ele, está muito parecido, eu não acredito que vocês estiveram face-a-face com o Michael Jackson e não pediram nem ao menos um autógrafo...”, ela pediu então para ficar com a fotografia, é claro que dei a foto para ela, depois ela me pediu o negativo, queria mandar ampliar para tentar ter certeza de que fosse MJ. Pois então, lembrei de tudo isso como se tivesse feito o passeio recentemente, escrevi para o CK pedindo para digitalizar a fotografia e enviar para mim (mas talvez a foto tenha se 'perdido') ou tentar ver com a Maíra se o negativo da fotografia existe ainda, o que daria para fazer outra revelação. Se fosse o Michael, eu poderia ao menos ficar com a lembrança de que olhei para Lisboa lá do alto da ‘torre’ ao mesmo tempo em que ele olhava, de que ele disse uma palavra sobre o que víamos, talvez se referisse mesmo ao Castelo de São Jorge, ficar com a lembrança de que respondi a ele, num diálogo breve, um estar ao lado breve, em uma foto do tipo 'talvez' . E uma palavra breve, ‘lindo’, ‘beautiful’, mas, uma lembrança inesquecível, ainda que eu não o tenha reconhecido (se for ele).
*
Que teve um gesto tão lindo quanto, na volta todos que estavam lá deveriam descer juntos, o senhor que estava com o cachorro no colo, não conseguia descer a escada que levava de volta ao elevador (esqueci de dizer: para chegar no último andar onde há um terraço com dois meio-círculos, há uma escada, logo para entrar de volta nele, era preciso descer a mesma escada), eu não tinha como pegar o cachorro porque parecia pesado e eu não sou alta, o rapaz de lindo sorriso ajudou, pegou o cachorro para que seu dono pudesse então descer sozinho. Achei um gesto simples e humano, lembro que eu e o CK comentamos que ali dentro daquele espaço tão pequeno onde nós escutáramos umas 5 línguas diferentes, não foi preciso haver um pedido de ajuda em uma única palavra que fosse, não foi preciso que 'ele', se dispusesse a estender a mão à pessoa desconhecida. Isso seria mesmo a carinha do Michael.
*
(CK & Maíra, estou esperando a fotografia, por favor, quero muito saber se pelo menos troquei uma mesma palavra com MJ, sem muita esperança de que fosse realmente ele, sem muita esperança, mas quem sabe? Se a Maíra tinha razão em sua percepção ao ver a imagem e se for MJ, (se o negativo ainda existir), conseguem imaginar de que tamanho será a revelação da imagem que colocarei na parede do meu quarto?) *
[ Passantes das Flores, este texto não é ficção, aconteceu e descrevi só o que eu me lembro, não tem nada extrapolado; as fotos são fotos de fotos, por isso a qualidade ruim; e, claro, se a misteriosa fotografia aparecer eu posto aqui]

Imagens do Elevador de Santa Justa

Na primeira imagem: o Castelo de São Jorge visto do alto do Elevador de Santa Justa, as outras duas imagens são do elevador e terraço (s).

Data da viagem: 31 de julho 1997/08 agosto 1997
(coincidentemente hoje é 31 de julho...)

sábado, julho 25, 2009

Michael Jackson: "for all time" mais uma vez e ...

... outra e ainda outras e sempre e sempre MJ


(minhas palavras para ti, doce Michael): tudo que tenho conseguido pensar é: não podes ter morrido, não podes, onde estás? Voltas? Muitos te amam e os que amam não julgam, apenas amam, por favor, diz que isso é ludismo, que foi um engano, uma vertigem, uma pequena loucura tua, voltarás? Eras como um Anjo,
Um Anjo que cantava.
Acredito imensamente na tua poesia e no teu amor à Vida, aos animais, às crianças, a um mundo mais justo.
*
Como tu desejaste que Neverland fosse para ti o que não encontrou no mundo lá fora! A vida que querias para o mundo não era possível, não é mesmo? Então, construiste o mundo lá de fora_ como sonhava que ele deveria ser_ dentro de Neverland, porque sabia que além de seus portões este mundo jamais iria existir. Uma outra terra do nunca ficava pelo lado de fora de Neverland, não, Michael?, e esta era o mundo inteiro, porém, a tua, a tua com letras maiúsculas, é que era verdadeira. E muitos não te compreenderam e desvirtuaram muitas coisas e voltaram contra ti todas as injustiças que cantaste no ser humano. Não chores, fizeste a tua parte e assim a vida se tornava um pouco mais leve com a tua voz, o teu sorriso, a tua dança, para nós, que não conseguimos fazer a nossa parte. Sentimos como se fossemos mais humanos quando escutamos tua voz, sim.

É que foste iluminado, Michael

Deveríamos beijar teus pés, teus pés de pluma?, ou teu coração é que o era? Eu preciso acreditar que estás vivo em algum lugar, talvez num lugar chamado 'terra do sempre', um lugar em que se é feliz sempre, em que se pode amar sempre, em que se pode brincar mesmo quando se vira adulto e isso não é feio, não é crime. Em que amar as crianças e os animais é elevado e não um mal, um lugar em que tu não vais mais precisar cantar ‘Earth Song’. Eu acredito profundamente, com meu coração, no teu amor puro, que transcende os julgamentos que só fazem aumentar o mal dentro das pessoas, e me pergunto o que as pessoas que te fizeram mal fizeram pela Vida?, a Vida que tu cantas em Earth Song, alguma delas fez algo para o mundo ser melhor?

Mas tu e só tu continuarás com o coração feito-plumas, pleno de meiguice, continuarás doce, em algum lugar continuarás a cantar somente o ‘sempre’, todos os ‘sempres’ que deveriam existir aqui onde vivemos e não conseguimos, porque é preciso ter sentido o amor dentro do próprio amor para tanto.

E terei a ti sempre como forma de me lembrar de que além dos portões
de Neverland poderia haver um mundo inteiro feito de alegria & amor. Eu quero lembrar que tudo é tão simples quando há amor.
Parece que rezo e faço preces?, que seja amor também, meu Anjo.
te beijo
*
sandra adriana

sexta-feira, julho 24, 2009

Michael Jackson: "for all time"

"Para Sempre"
"O sol surge nesta nova manhã
dissipando as sombras, um pássaro canta
E se estas palavras pudessem te manter feliz
Eu faria qualquer coisa

E se você se sentir só, eu serei seu ombro
Com o toque suave que você conhece tão bem
Alguém disse uma vez: é a alma que importa
Baby, é ela quem realmente pode dizer,
quando dois corações se pertencem

E pode ser que as paredes caiam
E o sol se recuse a brilhar
Quando eu disser, eu te amo
Baby, você tem que saber
É para sempre'
(...)
*
Poesia Pura, Linda, Doce, embalada por Encanto & Lirismo de Michael Jackson.
Nunca mais o mundo vai ver outro MJ. Nem nossos corações...

terça-feira, julho 21, 2009

MJ

domingo, julho 19, 2009

Michael Jackson


Eu não ia escrever sobre o Mito Michael. Fiquei muito triste com sua morte. MJ também fez parte de minha vida & a Vida de Michael era espantosa e comovente. Como muitos já escreveram: ele não teve nada de normal na sua vida.
E eu só vim aqui registrar um sonho que tive após sua morte. Deve ter sido um:
'como se' um 'adeus',
desses que nos permitimos a alguém que nos envolveu de um jeito encantador em determinada época e que, infelizmente, partiu. Foi um sonho simples como forma de adeus: MJ aparece como se fosse um amigo que eu não via há muito tempo, sua imagem já chega sorrindo. Eu olho para ele e pego seu rosto entre as minhas duas mãos, ele é meigo, doce, sorri e eu lhe digo: mas como você é perfumado e meigo, você é doce! O tempo todo ele sorri. O tempo todo ele é doce. O tempo todo ele é meigo. O tempo todo ele inspira felicidade.
(estranho?, que sabemos sobre a Vida?)
O sonho me comoveu. Não tenho a menor ideia de como fui ter um sonho assim. Não me saiu da memória, talvez eu sempre lembre do seu sorriso onírico quando ouvir: 'michael se foi' e acho que vamos ouvir isso por muito tempo, pois continuará retornando de formas outras além da presença física, muito além. Talento como o dele: raro.
*
No meu inconsciente tem muito do clip musical Thriller, eu era fascinada pelo clip (alguém conseguia não ser?) e MJ dessa época era lindo para mim, charmoso, atraente, cheio de vitalidade, e o movimento da arte parecia ter nascido no movimento do seu corpo! No entanto, o que ficou não foi a imagem do atraente dançarino, ficou: imagem doce. Dá para entender? Não dá, mas fico feliz em pensar que minha melhor lembrança sobre um dos maiores artistas do século XX, um verdadeiro mito, voltou em um sonho exatamente assim: no rosto meigo, de menino da Terra do Nunca, envolto em doçura e leveza, que chegou sorrindo. Quero ter para mim, embora isso pareça meio doido, que foi assim que eu me despedi de Você!, quero ter para mim, em minhas lembranças, que é assim que Você está agora: sorrindo, embora tudo.
sandra

segunda-feira, junho 29, 2009

cores & mosaicos


meu primeiro mosaico:
[dedico ao Chico Buarque pelas canções ao Mar]
"tanto mar"

... após o mosaico-pitagórico-ilhéu na parede

[um detalhe do mosaico]
* não dá não para viver de filosofia e literatura, voilà!, às cores!
sandra adriana

terça-feira, junho 16, 2009

A mulher do cotidiano

Eu me casei com a mulher do cotidiano, casei por opção, consciente de minha escolha, se foi heroico de minha parte ainda não sei. Com o tempo descobri que a mulher do cotidiano é muito mais perigosa que as metidas a filósofas, por exemplo. A mulher do cotidiano presta atenção aos mínimos detalhes, nada passa sem ser visto, o tempero a mais ou a menos na refeição que prepara cotidianamente, a casa que decora nos mínimos detalhes, as roupas dobradas e guardadas com todo zelo, inspiram a mulher do cotidiano a ver detalhes onde não existem e a ver muito mais onde algo se insinua, ‘e aquele olhar, eu vi você olhando...’, ‘e o sorriso...?’, ‘e aquelas palavras, nunca tinha visto você usá-las para ninguém’. Qualquer coisa que seja exterior ao seu cotidiano é um detalhe de algo fora de sua vida, a do todo dia. A mulher do cotidiano cuida todo sinal do amado como se fosse tempero a mais ou tempero a menos que mede a fidelidade e o amor. Ela transfere os ‘cuidados’ e toda transferência, sabemos freudianamente, acaba em confusão. Acontece que nem todo sentimento transferido é percebido em seu percurso, mas vejamos a fala de uma mulher do cotidiano que entende de transferência: ‘agora, neste instante, estou com ciúmes, faz mais de uma hora que ele está de papo com aquela ruiva, toda esbelta e cheia de olheiras, pois sim, então, no caminho de volta para casa, eu vou pensar em transferir o meu ciúme para outra ‘coisa’, e será bem ‘isso’, essa ‘coisa’ que arrumarei para colocar a culpa que será o assunto da noite, discutiremos a relação a partir daí. Só preciso escolher a ‘coisa’ ou o ‘isso’ onde vou colocar o que realmente penso como sendo ‘essa’ outra coisa. Depois, nem toda transferência é negativa, pode ser muito saudável, vou dar um jeito para que a minha se torne saudável.’
*
Mas foi por opção que me casei com Clara, a mulher do cotidiano que eu pensava ser inofensiva. A mulher por quem eu era apaixonado, a Rita, não era do cotidiano, dizia-se ‘universalíssima’, ‘abstrativa’, e essas coisas que tanto afrontam ao ‘nosso’ cotidiano. Mas não era tão perigosa, quando havia um sinal, no lugar do ‘e aquelas palavras, nunca tinha visto você usá-las para ninguém’, ela passava batido, via outras coisas ‘mais profundas’ e ‘dignas de serem discutidas entre duas pessoas’, muito além da simples mesmice, o que seria um detalhe a transformar-se em explicações infindáveis, virava uma teoria bem charmosa, meio fora da realidade, mas um tanto divertida, tenho que admitir, passei horas adoráveis ouvindo muita doideira. Além do mais o que poderia ter sido um flirt paralelo virava motivo para especulações filosóficas e com isso eu tinha passe livre para alguns exercícios de sedução bem debaixo do nariz-filosófico de Rita e eu me sentia o maior sedutor a ponto de toda uma aceitação conformativa virar, em vez de briga, uma teoria très charmant. Um dia ela, A Rita, a filósofa, me disse: ‘eu só me casaria com um homem que me fizesse amar até mesmo os detalhes do cotidiano, todo o cotidiano, sem que eu percebesse que cheguei a amá-lo, só me casaria com este homem.’

Não tinha a menor idéia de como faria uma ‘universalíssima’ e ‘abstrativa’ amar o cotidiano composto de pratos, louças, detergente, fraldas, ferro de passar roupas, Rita desatinara como nunca naquela última noite em que nos encontramos, ‘a Rita levou meu sorriso no sorriso dela, levou junto com ela e arrancou-me do peito, causou perdas e danos...’ Casei-me então com Clara, que manjava tudo de detalhes do cotidiano e para quem eu não precisaria ensinar nada. Queria um amor fácil e tranqüilo das louças espumantes em detergentes líquidos e o sol da manhã sobre a toalha florida para o café da manhã. Nunca mais vi a Rita, a ‘universalíssima’, que 'levou os meus planos, levou meus vinte anos, o meu coração.' Em compensação hoje percebo o perigo da mulher do cotidiano: vê detalhe em tudo, não preciso ensinar nada a ela, é verdade, pois vê sempre mais do que é para ver e ainda por cima ‘todo dia ela faz tudo sempre igual’, a mulher do cotidiano. E eu?, nunca mais tive aqueles instantes de flirts que viravam teorias mescladas com aspas e as invencionices de Rita.
*
Será que Rita continua por aí a desatinar? Será que Rita sarou do desejo de casar com um homem que a fizesse amar o cotidiano? Será que Rita viu morrer alegrias e rasgar fantasias nos dias? No seu mundo de cetim, assim, debochando da dor do pecado, do tempo perdido, do jogo acabado', terá cansado de teorizar seduções que aconteciam bem debaixo do seu nariz-filosófico? Se alguém souber de Rita me avisem, estou precisando escapulir um pouco dos particulares detalhes do
‘todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã....’
*
sandra ádria_na

À menininha que só entrava no mar à noite

A menininha que só entrava no mar à noite &
À menininha que só entrava no mar à noite

Calor, sol, ondas cristalinas e calmas. Verão. Crianças brincando na areia. Conheci uma menininha que só entrava no mar à noite. Nem sol ou calor conseguiam que Kaka entrasse no mar à tarde. A menininha de dois anos só queria saber de mar à noite. Mas, por quê? É a nossa primeira pergunta. Por que uma menininha de dois anos só gostava de entrar no mar à noite? Ela não conseguia explicar, era muito pequena ainda para nos dar uma resposta toda lógica e cheia de justificativas que satisfizessem a nossa consciência de adultos. Ela dizia ‘não’ para o mar durante o dia e ‘sim’ para o mar durante a noite. A mãe dela pensava, assim como pensamos nós os não-mais-crianças, que à noite ela não enxergava a imensidão do mar, não via muito bem as ondas, então ela adorava brincar no mar noturno.
*
À menininha que só entrava no mar à noite:
Tu adoravas o barulho das ondas e então não carecia de vê-las?

À menininha que só entrava no mar à noite:
À noite perguntávamos a ti: ‘e então Kaka, está gostoso o mar?’
‘Sim, de noite tem ondas’ — nos dizia.

À menininha que só entrava no mar à noite:
À tarde perguntávamos a ti: ‘e então Kaka, vamos entrar no mar?’
‘Não, eu tô esperando chegarem as ondas’, — nos explicava concentrada na espera.
*
À não-mais-menininha que só entrava no mar à noite:
O que será que imaginavas tu sobre uma onda? O lado amigo do mar?, ondas amigas só apareciam à noite? Talvez, o som das marés e sua imagem difusa, alterada com os reflexos que a lua colocava por sobre o mar, representasse o verdadeiro mar.
‘Esse mar que vive à tarde, esse eu não quero!’
*
Que sim,
dizem que as crianças entendem muito das coisas da vida pela intuição e que a intuição vai se perdendo e, após os sete anos, isso se dá velozmente, em pouco tempo a intuição é apenas uma lembrança distante, confusa, como muitas lembranças o são assim tão assemelhadas com as formas da noite. Eu acho que deveríamos ‘seguir’ a percepção de vida dos pequenos, como seguimos há muitos anos atrás, a menininha de dois anos que só entrava no mar à noite. Pois à noite as ‘suas’ ondas sempre estavam lá: no mesmo mar para ela. Será que é condição de possibilidade para que algo esteja 'sempre' no mesmo 'lugar' que não o possamos ‘ver’ como tudo aquilo que vemos no formato da luz do dia?
*
Eu me vou a passear no mar à noite. Seguir aos pequenos e suas intuições preciosas. Obrigada, Kaká, pelo ensinamento.
[Kaká hoje é advogada, podem contratar, era corajosa desde pequenina]

quinta-feira, junho 11, 2009

"o sábio só ri ao tremer"

"O sábio só ri ao tremer"*
O cronista não sei se ri.
Kierkegaard temorizava e tremia.
Cada um tem seu jeito e sua hora do riso.
*

Ele é inabalável. Ela abaladiça, vacilante, frágil. Logo ela só ri ao tremer. E ele só ri por atrevimento, é quando a imperturbabilidade se anima. Ânima, alma, vida. Será que ele já tremeu alguma vez? Assim, vacilante e frágil e ainda rindo?
Uma vez, começou sorrindo. ‘Mas não me vem a imagem em mente, ela existe, mas não consigo trazê-la de volta. Sabe a tabula rasa?, assim como seus beijos distantes’, eu disse a ele, e continuei: ‘e aí nunca mais saio do mar, nunca mais, você sabe.’ Ele sabia, até demais, nem sabia porquê e como sabia, só sabia que não é como o sábio que só ri ao tremer, ao tremelicar.
‘Descreva a cena, vamos!’
‘Mas que não posso, ainda tremo’
‘Então não é possível, abstraia-se de si mesma, sinta-se distante de si e descreva’.
Eu tremo mais e mais e agora já não me sinto tabula rasa, sou toda tremor, mas meu tremor também é vacilante e frágil.’
‘Pare de repetir estas palavras e esqueça essas esquisitices’, ouço ele me dizer, ‘pense na cena, só na cena, e agora a descreva’.
Beijo. (beijo não-distante)
Ele corresponde.
Meu beijo ri, meu beijo treme. Minha tabula rasa se transforma numa grande orgia de risadas, risos, sorrisos, orgia que treme, temoriza e tremelica.
Sinto o seu beijo tremer, um tremor lento, suave, cálido, que vai aos poucos me lembrando do não querer mais sair do mar, nunca mais.
Absolve-me de descrever cenas. Agora ele que ameaça com o mar: ‘e aí nunca mais saio do mar, nunca mais, você sabe.’

Sabia,
Um dia fomos só-palavras, mas isso foi antes, num muito antes. De um tempo para cá estou inabalável, imperturbável. Ele, depois do meu beijo que ri, é que passou a tremer, ser vacilante, frágil, sensível. Agora ele só ri por beijos sábios, ameaça com a cena do mar: ‘olha que eu nunca mais saio do mar, nunca mais, você sabe!’
Não sabia,
Apenas beijava. Porque um dia fomos beijos distantes, mas isso foi antes, num muito antes. De um tempo para cá nossa melhor descrição é a do sábio que só ri ao tremer.
E ele se tornou muito atrevido: porque aprendeu a tremer agora já pensa ser sábio e quase-pescador.
Pois sim,
Cronistas riem, mas são tão complicados.
sandra ádria_na
*frase de Baudelaire

quarta-feira, junho 10, 2009

eu visitei o escritor em sua 'casa'_na 'casa' em que mais ama

Anna Akhmátova, “eu visitei o poeta em sua casa”.
Eu visitei o Escritor em sua 'casa', na 'casa' em que mais ama.
Um acaso.
Acabara de separar o livro “As Cem Melhores Crônicas Brasileiras” para levá-lo no lugar de 'O Vermelho e o Negro'. E não é que o Escritor está no livro? Que acaso literário. Estava às voltas com outras escolhas, trazia ainda na dúvida Vargas Llosa, Lygia Fagundes, Ítalo Calvino, Poesia Russa, Hilda Hilst, e Stendhal para substituir uma escolha. Stendhal me fez ‘visitar’ o Escritor em sua 'casa', a 'casa' que mais ama. Algum passante ficará curioso, sim, mas qual o nome dele. Ah!, que não digo, não o posso dizer, escritoras marginais devem falar pouco, quase nada. Não o posso dizer. Mas dou uma dica para algum eventual passante curioso aqui das Flores: 'visitei' o Escritor porque não quis ficar com Stendhal, 'visitei' o Escritor porque eu já o conhecia. Eis, é cronista. Sim, sim. Mas a lista do livro é enorme. Que não digo nada. Não é o primeiro da lista, mas tem pintas de bruxo, como me fez visitá-lo tão rápido e tão breve?
Não fique com ciúmes, ele não lembrava quem eu era:
— Oi, oi, tudo bem? — digo sorrindo após observá-lo caminhar em minha direção.
— (ele para e fica me olhando sem saber o que dizer, é que não lembra) ...
— Não lembra de mim? (não lhe dou tempo de responder para ficar mais leve a ‘visita’) Você é o Escritor, sim? Eu sou a S., lembra? Trocamos emails nesta madrugada, isto o faz sorrir, talvez de alívio porque eu o ajudo com a lembrança.

(em menos de 10 horas após os emails trocados agora estou aqui a trocar stendhal. enquanto me olhava mudo, provavelmente, ele tentava ir substituindo rostos em suas lembranças, daqui para lá, de lá para mais além, de cá, de lá, mas aponto o lugar do 'lá': ‘trocamos emails nesta madrugada’)
— Tudo bem contigo? – ele pergunta — você está muito diferente sem a cor vermelha nos cabelos.
— Sim, respondo. Estou bem. Por acaso, vim substituir outro vermelho, é o de Stendhal: pel'As Cem Melhores Crônicas Brasileiras', acha que é uma boa ideia ir se livrando assim de tantos 'carmins'?
— Muito boa. Tem grandes nomes nesta coletânea, são as cem melhores crônicas que não são as cem melhores.
(sorrio com a ironia, cronistas são bons nisso, em ironias)
— Você está no livro? Eu nem olhei ainda a lista de autores.
— Sim, estou sim. — Pega um exemplar e me mostra, estou aqui — e depois vai mostrando nomes que ele considera como excelentes escritores. Em seguida pega o meu-vermelho e abre assim para brincar um pouco com o acaso que nos pegou de surpresa, mais a ele que a mim, digo, antes a ele que a mim, já que lembrei antes, é que os acasos perdoam aos que recordam. Ele lê a epígrafe do capítulo XVII: "eu agora pretendo ser sério - já é tempo, pois hoje em dia até o riso tornou-se sério." (neste instante muitas pessoas circulam repentinamente pela ‘casa’, todos aqueles nomes soltos em vozes com tons diferenciados, vindos de todos os lados, assim como se fossem sustos, como um mantra literário: ‘poe, hilda, lygia, calvino, llosa, gabriel garcia márquez, victor hugo, campos de carvalho, rimbaud, manoel de barros, baudelaire...” em meio ao mantra de nomes ele se despede com delicadeza fugidia. E sai com o meu ex-exemplar de O Vermelho e o Negro. Eu fico lá, parada com As Cem Melhores Crônicas em mãos (sem o seu autógrafo), ainda escutando ecos literários ...oe, lda, gia, vino, osa, el, valho, baud, arros, aire...sério, ério, rio.
*
Visitei o Escritor em sua casa, na casa em que mais ama. Que o vermelho o faça lembrar. Eu deveria ter lhe dito: cuida, o que andas a escrever planta ceticismo, emboscadas, loucuras na mente humana, lembre sempre do vermelho, do vermelho que pode sugerir cem outras coisas sem que sejam as cem melhores: eu sou a mesma de um ano atrás & continuo com as mesmas ideias que não levam nem ao riso da seriedade nem à seriedade do riso: às vezes, a vida nos concede um instante de ludismo que não deve ser levado a sério dentro do tempo deste instante, muitas vezes a vida nos concede um instante de seriedade que não deve ser levado no riso dentro deste mesmo instante, pois tudo que flui bem flui por ‘vermos’ o quanto de tempo nos é concedido para isto ou aquilo. Sincronia com a vida. Sem isto haveremos de lamentar: “o problema não é que a vida não nos dê as coisas, ela nos dá para depois tirá-las”, é o não fluir bem. Dissonância com a vida. Que difícil isso: cara ou coroa?, riso ou seriedade?, quando e quanto?
*
(e ele nem lembrou do aniversário da Dolores Duran e nem da data da morte de Nara Leão, por que então lembraria de vermelhos que envolvem voz infantil?, que perguntam: cara ou coroa?, vermelho ou negro?)
sandra

terça-feira, junho 09, 2009

Im_pele, o quê?

É possível algum tipo de escrita sem impelir ao movimento?, movimento mental, sensorial, de percepções, sentires, dizeres em nós mesmos, é possível? — pergunto a ele, dizendo, ‘aqui ficaria tudo mais charmoso com as tuas respostas de rara inteligência.’
*
Porém, o primeiro movimento dele é sempre o mutismo e o silêncio. Neste movimento penso, ‘como posso chateá-lo com tantos afagos dos dizeres meus se os penso para ele?’ Sustos me impelem à escrita. Ele disse ontem, 'a escrita é feita de ‘fantasmas’ e, depois de uma aparência nebulosa daquelas que prometem dissipação, principiam a se definir e cedo se mostram com aparência visível, estridentemente luminosa.' Seu segundo movimento sempre fala do que as coisas são feitas ou do que elas parecem ser feitas para depois se mostrarem mais perto do que são. Neste movimento sinto, ‘como posso deixá-lo assim tão cético, às vezes cruel, com desejos meus se os sinto para ele?’ Seu terceiro movimento é um leve arquear de sobrancelhas, um meio sorriso de canto, um olhar se desviando para ‘fora’, sem mais palavras, ele fica como se fosse só pensamento. Neste movimento dele, me sinto eu assim como criança a esperar hora certa de brincar. E ele não curte crianças, ‘como posso distraí-lo com os meus falsos ludismos se os invento para ele?, me esquecendo de que seu movimento é sério demais para isso?’ Às vezes me acusa-perguntando: ‘brincando de novo com coisas tão sérias?’ É o seu quarto movimento, o do perguntar. O meu nesse instante lembra Sócrates e Platão com todos os tipos de dialética, tento me salvar pela dialética com a resposta, mas ela nunca ‘cabe’ no seu movimento certo. Devo ser uma sofista à moda antiga, e penso que é pior ser sofista dessas que ainda acreditam em amor que ser sofista convicta. Tento um novo ludismo, que não é nem falso nem ludismo, é outra coisa, mas ele finge não ‘ver’. Tenho a sensação de que ele sabe o que eu vejo e sabendo disso teima em ver diferente para alterar minha ‘visão’. Insisto:

‘hoje me passou algo insano pela mente, sabe aquelas pesquisas sobre escrita?, fiquei pensando no que você pensaria, como é meio insano não faz diferença eu explicar de onde as perguntas surgiram’, digo isto a ele que é para manter a aparência de falso ludismo, continuo: ‘mais ou menos assim, um texto impele ao movimento, ok?, movimento mental, sei que parto de um forte pressuposto-afirmação, mesmo sendo dessa forma, se eu perguntasse para você: é possível um texto, por menor que seja, um parágrafo que fosse, não impelir a algum movimento do pensar*? (*pensar como tudo que somos, sensações, percepções, etc) Se fosse possível como seria esse texto? Se, é impossível, por que é impossível? Se, é impossível, tem algo que a literatura não tem força para fazer viver. Vês?, como as palavras têm seu ponto cego?
*
Sinto deslizar em sua respiração o primeiro movimento seguido do segundo, sabendo que ele irá se emaranhar em todos os movimentos seguintes, me preparo para ser a sofista à moda antiga enquanto não me ocorre nada de melhor, quase não respiro, não respiro, sofista em stand-bay, até que ele simplesmente diz:

“quer transar?”
(esqueço a pesquisa sobre a escrita, as perguntas insanas, os mirabolantes falsos ludismos, esqueço que sou sofista às avessas, nem lembro mais do ponto cego das palavras, da redução ao absurdo que acabara de jogar para cima da literatura, e com um beijo úmido, beijo que im_pele à vida e ao seu movimento, sussurro:

“vem?”
*
sandra ádria_na

terça-feira, junho 02, 2009

Parte V. "A distância entre a intenção e o gesto"

Eu acredito que exista algo na forma com que uma pessoa lembra que lhe concede a possibilidade de lembrar ou não de algo, se e quando precisar lembrar desse algo. Como um 'ponto cego' que deixa de ser 'ponto cego' no instante necessário. Ainda não sei como a minha forma de lembrar interliga suas 'sinapses', mas sei o quanto é curioso o fato de que eu lembro assim como se fosse um ‘flash’ de cenas vividas, flash que no momento lembrado espanta, não imaginei que lembraria. Esse ‘intervalo’ entre a cena e o momento 'aqui' em que lembro é tão repleto de outras vivências por de ter vindo junto com o movimento de vida, tantas coisas, pessoas, situações, leituras, escritos, sensações, percepções, mundo da vida, que se resolvermos pensar conscientemente sobre um fato, um dizer, a expressão de uma pessoa, talvez nos dê uma sensação angustiante da impossibilidade de termos nossas próprias lembranças disponíveis, num ‘flash’ de querer, de desejar determinada recordação_ porque existe muita Vida neste intervalo entre o agora e o antes. Então, decidi chamar a este 'intervalo' entre o algo a ser lembrado e o instante em que é lembrado de ‘a distância entre a intenção e o gesto de número cinco”. Explico (explico porque hoje estou numa fase explicativa-hipostasiada) a intenção de lembrar com clareza uma cena e o gesto de lembrá-la atravessam, às vezes, uma distância cronológica permeada por todas aquelas coisas que citei acima, a consciência aumenta a distância de cronológica para uma distância metafísica. E tudo que se torna metafísico para nós assume instantaneamente palavras que dizem: nunca vais saber o que desejas, a impossibilidade de ver o que queres. Por isso, as lembranças repentinas, as que vêm por 'flash' são mais confiáveis, existe nelas um pensamento a dizer: se elas vieram assim de repente então elas existiram exatamente como estão sendo lembradas. Parece confortável e aliviante, mas não é sempre assim, penso, do contrário haveria uma maior concordância entre duas pessoas que lembrassem juntas uma mesma cena, diálogo, fato. Não é o que acontece. Por outro viés, quem pensa por imagens corre maior risco de se ver emaranhado em partes de lembranças que não estavam lá, é a necessidade de preencher espaços vazios para dar linearidade e totalidade a uma cena lembrada como se fosse uma narrativa literária. Por isso amo os surrealistas, eles entendiam muito do movimento de rememorar a vida, com certeza, eram mestres no assunto e não acreditavam na possibilidade de uma linearidade literária que não existe sequer nas lembranças. Alguns chamam a esta espécie de recordantes por imagens (aqueles que recordam, sim?) de loucos, imaginativos, dissociados da realidade, andarilhos no pensar, simbolistas tardios, dependendo da idade, sobram outras tantas adjetivações.
* (como estou eu sendo minha melhor 'experiência', até porque jamais vou ter a graça de poder pensar por imagens no lugar de outro ser humano, preciso me contentar em ser meu próprio laboratório, e com isso, tristemente percebo o querer de estar inteiramente no pensamento de outra pessoa, haveria algo mais metafísico do que isso?, creio que não, enfim...)
*
Minha melhor lembrança vem por 'flash', a lembrança-repentina, como se fosse uma lembrança-intuitiva. Você por alguma razão necessita ‘vê-la’ de novo em seus pensamentos, por algum motivo ela se tornou muito importante, e suas sinapses sabendo disso vão buscá-la e a trazem de volta e te mostram a ela, sim, te mostram à lembrança. E uma cena encantadora lembrada explica algumas coisas de maneiras possíveis. E com isso vem o instante posterior àquele que trouxe de volta em imagens, com sorte, também com as palavras trocadas, um diálogo rápido em frente a um elevador, um dar passagem olhando com encanto, assume uma distância aterrorizante: mas então, então era para ser assim?, desse jeito?, o intervalo (a distância) entre a intenção (de vida) e o gesto (de não-vida, já que não houve e que poderia ter se dado). Era para ser dessa forma? O 'flash' tem sempre luminosidade?
*
Uma sensação de engano. Como ele pôde não ter dito nada, além de uma frase corriqueira em frente a um elevador numa tarde de sol em setembro? E ir embora tão calmamente, tão tranqüilo porque decidiu que era assim que deveria ser.
Uma vivência breve, na hora apenas me despertou encanto e que deixou um rastro de algo por explicar. Minha memória depois da fase 'flash' lembra muito mais e bem melhor o que me acontece estranhamente e não teve, no instante vivido, uma explicação plausível. Tudo que me é explicado no momento vivido não terá para mim qualquer distância a ser percorrida pelas 'sinapses' para que um dia eu as deseje de volta. Minhas sinapses acrescentaram espanto. Uma certa incredu(a)lidade diante da vida. Eu recordo com mais vida o que ficou sem explicação. Minha melhor memória é insistente em explicar, deve ter sido a filosofia que me viciou assim com esta obstinação de várias adjetivações, só pode ser.
*
Os perigosos 'flash' que nos atravessam com suas luzes intensas. As cenas vividas que ficam só aguardando o dia da completude explicativa vêm através deles. E aqui penso que caberia a fala do filósofo Marcos Müller sobre Merleau-Ponty. Se encontrá-la transcreverei em 'mar d'água' a sua ideia sobre completudes tardias. Agora, para finalizar, como meu norte literário tem sido o Blog do Marcelo Rubens Paiva, termino citando um belíssimo parágrafo do Marcelo: "Escrever cansa. Fotografar é quase uma brincadeira. É um registro da vida dos outros. Como literatura. Sem esforço de memória. Mas com flash ou sem. E pessoas passando na frente." Marcelo e o querer-ser-fotógrafo, eu também, eu também, Marcelo, tanto para me cansar menos como por outro motivo: eu me fascinaria por simulacrar algumas cenas vividas, com a imagem 'congelada' quadro-a-quadro, com 'balãozinho' para o diálogo e tudo o mais: então eu possuíria memória-em-HQ, e me pensaria por imagens de uma maneira bem fidedigna. A pior finitude só pode ser esta: o vivido depende do lembrar! Com o tempo a distância é tão intransponível, são tantos os 'gestos' que somos e não-somos, acabam por carregar junto dentro do 'intervalo' uma infinidade de "pessoas passando na frente" e que contribuem para desfocar nossa visão. Será por esta razão que Merleau-Ponty falava na 'dupla visão' ou 'vista dupla'?
Para ver além da multidão de pessoas que passam pela frente é necessário ter 'dupla vista'? (os fotógrafos a possuem)
*sandra, voltando para as imagens. mas que obstinada por este assunto!

Parte IV. "A distância entre a intenção e o gesto"

Embora meu amor e meu ceticismo pelo que as palavras possam significar em nossas vidas, admito que o lado quase 'sagrado' com que elas nos dão algumas coisas se assemelham muito com imagens, de um jeito ou de outro as palavras nos permitem trazer de volta cenas do passado, elas vêm junto com a cena, claro que sim (ou não?), ou a cena vem primeiro e depois a linguagem formal?, ou é esta que surge a princípio para depois ressurgir a cena? Eu não sei. Tu o sabes? Em todos os 'acasos', palavras & imagens me fascinam. Penso nisso há anos. E sou a minha melhor 'experiência'.
*
Lembrar. Recordar. Trazer algo de volta do passado ao presente.
Re_apresentar em forma de linguagem e imagens (uma cena vivida, por exemplo) num tempo distante do acontecido. Pode ser de um tempo bem próximo também. Pode ser recordação de alguns minutos atrás. De muitos e muitos anos. Ou de átimos. Qual seria o rememorar mais fidedigno?
Re_apresentar lá na frente o que acontece agora, e aqui seria uma antecipação de uma possível reminiscência. Recordar o tempo perdido. Lembrar no instante seguinte. Re_lembrar de uma forma ou outra. Tudo isso é para mim memória ou pelo menos o que a atravessa. Ou parte dela ou o que tem travessia em parte. Eis, consegui sintetizar o que eu penso sobre o assunto e não foi com leituras de Merleau-Ponty nem Bergson, eu só lembrei de uma cena brevíssima e tudo ficou tão claro. E senti uma profunda vontade de saber se a memória (e não as lembranças) tem uma cor clara. Qual é a cor da memória de cada um?
*
A distância entre a intenção de lembrar e o instante em que se lembra é de que tamanho? Eu acho que é do tamanho do temperamento de nossas sinapses. Assim, eu jogo tudo para cima de meu tempo interno e não tenho que explicar distâncias ou não-distâncias. É que existem certos tipos de lembranças que vêm com uma dedução, tardia, é certo, mas penso que a menor distância é justamente a que nos faz 'ver. Que pode ser assim: o 'ver' assume o movimento de vida logo depois do gesto. Não importa que seja 'tardia', afinal os silogismos também o são.
*
Algumas pessoas possuem memória-em-movimento-de-silogismos com um passado em premissas e conclusões que aterrorizam. Algumas pessoas possuem memória-em-movimento-de-vampirização com um passado que vive a sangrar o que já houve, as conclusões, normalmente, não são nada fleumáticas. Algumas pessoas possuem memória-em-suavidade com um passado bem mais atenuado pelas conclusões harmoniosas, são os minimalistas da memória. Algumas pessoas possuem memória-de-baladas com um passado que vive só das andanças noturnas, suas conclusões em geral são regadas etilicamente, são os de ar blasé, para estes lembrar não pode estar associado a um cotidiano sem glamour, possuem passado-em-cena. Morreriam sem este teatro de si mesmos. Algumas pessoas não lembram, não gostam de lembrar, não vivem no passado, não precisam disso, elas estão no presente e daí para o presente de novo. Não são atormentadas, o passado não é uma tempestade, apenas mais uma estação que mudou. Algumas pessoas possuem memória-em-hipostasia, e de algo insignificante conseguem passam a forte impressão de que tudo tudo foi intenso. A lista iria ao infinito.
Não estou com vontade de realizar ilações sobre memórias outras. Minha lista vai ao que é finito. Bem finito.
* sandra, para os que lembram que lembrar existe.

Como ele pôde ficar sem voz?


“Como ele pôde ficar sem voz?”
Cena: Ela chega na recepção do prédio. O recepcionista pergunta, “seu nome, por favor?” S., responde ela. “Aguarde um instante”, pede o recepcionista e em seguida faz uma ligação para uma pessoa que provavelmente está em algum andar do prédio. “Ela está subindo, Sr.” Em seguida diz à moça: “Senhorita, suba pelo elevador da esquerda”. Ela não estranha. Se tem que subir pelo elevador da esquerda que seja. Caminha até lá e aperta o botão: do elevador da esquerda! Ele para, a porta abre, ela fica olhando com uma sensação de encanto inexplicável e ‘dá passagem’ para o Sr. desconhecido que a cumprimenta com um ‘oi’ meio fixo. A expressão dele é encantadora. Não sabe se é sempre assim ou se ele teve alguma lembrança ao olhar para ela e assim ficou. São dois desconhecidos? Talvez sim. Talvez não. Talvez haja um desconhecimento somente para um deles. Mas ela nada sabe, acredita estar num simples momento do cotidiano. Trocam algumas frases rápidas sobre isso mesmo, o cotidiano em elevadores. “A porta fechou e o elevador subiu novamente, me desculpe”, diz ele. “Não tem importância”, sorri ela. Tchau de um lado, tchau de outro.
*
Ele se dirige para a porta do prédio. O recepcionista pergunta, “Mas então encontrou a pessoa que esperava?” Responde ele: “Sim, encontrei.” “E não vai falar com ela?”, interroga ainda o recepcionista.
“Não, não vou falar com ela.” Responde calmamente enquanto vai embora.
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Ela só ouviu o diálogo porque o elevador subiu antes da hora, ela só lembra dessa cena porque pareceu surreal uma sensação de encanto bem no meio do cotidiano. Ele só foi embora porque ficou sem voz. Ele só ficou sem voz porque uma ‘vozinha’ lá dentro disse-lhe: “lembra daquela outra vez?, o que foi que aconteceu?”
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As sinapses estão sempre conspirando a favor da liberdade. Assim, ele partiu.
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Assim ela relembra. Dos encantos trincados pelos humores de nossas sinapses.
sandra & uma cena-exemplo como transição para o próximo post: "a distância entre intenção e gesto, parte IV".

domingo, maio 31, 2009

Parte III. "A distância entre a intenção e o gesto"



Buscar uma palavra que me diga naquilo que foi sentido num muito antes do instante de dizê-lo/dizer-me é sempre um a posteriori de signos perdido no tempo. E aqui, não tem ninguém equivocado, só eu, com as palavras-explicadoras que surgem depois, posteriormente. Para confortar com explicações formais, forma de substituição. Escrever é sempre substituir vida, é assim que vejo a literatura, a filosofia, a escrita, a fala, o mundo girando nessa bagunça em que há muitos dizeres, milhões deles em cada átimo, a escrita é sempre tardia e substituidora de vida. Por isso amo os cães, eles não sabem substituir vida. A literatura seria então maldição ou salvação à vida substituída? Que sim, que não, lembrarei sempre da distância entre intenção e gesto, a intenção da substituição e o gesto que o realiza: a escrita, o escrever, o dedilhar de signos. Senão existisse música o mundo seria mais doente e equivocado, o som de um órgão, como em Migala, nos faz mesmo desejar: “queria que alguém entrasse em minha vida como um pássaro entra por uma janela causando caos e destruição...”, na música pedimos tudo porque até mesmo o desejo de caos, o já substituído em palavras, será outro que não aquele do caos vivido. A música fala de uma espécie rara de substituição e todos amam este tipo de substituição e não se importam com as diferenças de gestos porque qualquer que seja tem o poder imenso de diminuir a distância que canta. Ele me confessou, lá as palavras não explicam a vida, é de outra coisa que falam, me advertiu o profeta. Voilà! Que espero demorar para passar lá, curiosidade substitui vida em formas outras. Wittgenstein substituiu assim o seu viver: “os limites de minha linguagem são os limites do meu mundo.” Substituí assim em minhas distâncias particulares: os limites de minha linguagem são os limites de minha substituição de mundo, por isso eu creio, se não tiver vivido terei pouco a substituir, muito pouco. Para alguns quase nada. Para outros, quase tudo. Para os que amam: tudo. Para os poetas que sutilizam a vida em argilíneas, tentaremos substituir a vida que há em seus versos numa outra distância e num outro gesto, que gesto de poesia é contundente em anunciação de imagens. A substituição pertence aos concertos que falam de solos em aves em céu aberto em versos argilíneos onde nome algum diz. Nome que argila não substitui vida: aumenta.
* de sandra para todos que 'argilam' em seu viver

sábado, maio 30, 2009

Parte II. " A distância entre intenção e gesto"

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Eu sou tola pelas palavras. E com isso me estrago em minha tolice. Eu preciso ser tola pela vida. Um dia eu já fui. Eu desejo sempre uma palavra que seja irmã gêmea de uma sensação, eu gosto de significar signos em cada coisa que vivo. Um dia eu já não fui assim. E por outro lado sei que palavra alguma nos diz, alguém disse assim, não lembro quem foi, li e ficou em mim. Um dia eu já acreditei nisso: que as palavras nos dizem em tudo e em todos. Eu amo colocar palavras que nos dizem em tudo e em todos. Um dia eu já não era assim. Um dia eu li Trakl, “ficamos sempre pelas palavras”, passei a sofrer de solidão de significados: tola, eu disse para mim, acreditei demais também nas palavras. Um dia eu acreditei assim: que palavras tudo podem- . Depois descobri que elas são sempre posteriores a algo. E isso me aumentou mais em minha tolice, tanto, que eu me senti traída pelas palavras. Um dia eu já fui assim ‘em busca do tempo perdido’. E descobri Proust e pensei que o estrago poderia ser resignificado se eu dissesse o tempo perdido. Mas, então, vi que existe distância entre a intenção de dizer o tempo vivido e o gesto que o anuncia. Um dia eu já fui assim: não percebi distância. Na época eu era tola pelas palavras. Hoje estou por outras coisas.Ando tola pela vida, e com isso me estrago em minha nova tolice.

quarta-feira, maio 27, 2009

Parte I. "A distância entre a intenção e o gesto"

a distância entre a intenção e o gesto* ou eu sou mônada, mas sou mônada feliz

Ele: "O que você acha do que o J. fez? E de A.? Como você viu o que aconteceu na discussão entre eles? Não sei para qual deles eu devo dar razão. O que você pensou?"
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Depende de como é o teu pressuposto para olhar para a vida. As pessoas possuem o seu pressuposto de vida, mas raras são as que sabem qual é, conheci muitos filósofos que sabiam os pressupostos de toda a história da filosofia, mas raros sabiam quais eram os seus pressupostos que faziam com que tivessem uma determinada atitude. Muitos nem sabem de onde suas palavras saem, a origem do que somos passa por aí: pelos nossos próprios ‘pressupostos’ de vida. Eu conheço um dos meus e sei que olho para as atitudes das pessoas através dele e sei que sou na maior parte das vezes incompreendida no que disse porque o outro ouve através dos seus pressupostos e aí o jeito que eu falei sobre algo ou alguém a partir do meu pressuposto de vida, quando absorvido pelo outro e de dentro-do-outro terá uma versão também outra, a sua, claro. E deve ser por isso que as pessoas são tão equivocadas quando dialogam entre si. A compreensão é rasa e superficial, muito mais barulho do que vida verdadeira. Vejo o mundo assim: com mônadas que são lúcidas para si mesmas porque a tendência é cada um acreditar em suas verdades e estas são sempre lúcidas para quem as têm, ainda que nem saibam de onde elas tenham vindo, pior, não sabem sequer porque deixaram permanecer um sentimento não-bom e expulsaram de dentro de si um bom-sentimento. Que sabe o homem a respeito de si? Rien des plus. Essas ‘mônadas’ lúcidas para si e equivocadas para o resto do mundo ao chegar em algum outro ponto onde há vida encontrarão muitas outras mônadas convictas de suas verdades e que já são outras, o mundo então se torna toda essa confusão de falas, palavras, atitudes, discussões, guerras de palavras, que vemos e vivemos, o mundo é essa bagunça de pessoas zumbizadas em seus pressupostos completamente desconhecidos, gente!, o mundo está doente de desencontros. Isto não é Leibniz, é apenas um pouco da vida maluca que todos vivemos que fala sobre a distância entre a intenção e gesto, que fala um pouco, assim passo a passo sobre o quanto existe distância entre intenção e gesto (o gesto de uma palavra).
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Meu pressuposto é desvendar a intenção. Minha maior incompreensão é que isso está alguns passos antes do discutido, e passo eu por doida e outros adjetivos, mas foi o outro que me viu segundo o que ele acredita, o problema é que ele nem sabe direito no que é que acredita, aquela velha versão de: que tipo de lentes você usa para ver o mundo?, a maior parte não sabe, nunca pensou, muitos não conhecem a palavra adequada para tal sensação de vida. E alguns poderão dizer: então, a compreensão passa pela intenção, explique melhor, por favor. E eu terei que dizer: mas também sou mônada lúcida e mônada confusa e equivocada, veja, não tenho como explicar isto de intenção porque acontecerá uma regressão ao infinito de explicações que tornarão tudo mais terrível ainda. Eu sou uma mônada um pouco mais feliz, digamos assim, com o barulho que não faço no mundo que existe.
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(“daria para dar um exemplo concreto?, assim, mais vida, realidade, entende?”
“não, temo que não, mônadas também possuem temores, eu sou péssima para descrever coisas reais, estou aprendendo com o Paiva como estar mais atenta à Vida do que às abstrações, mas isso me é tão difícil, eu queria saber como ele consegue ir de uma abstração para uma realidade com tanta espontaneidade e inteligência e depois fazer o inverso, ir de uma realidade para uma abstração do mesmo jeito, espontâneo e perspicaz, penso que devemos estudar o Marcelo, ele é um mônada raro, temos muito a aprender ainda!)
sandra_mônada feliz
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(esqueci de contar, mônadas felizes são alaranjadas em vermelho-confuso)


(** a distância entre a intenção e o gesto, verso de Fado Tropical de Chico Buarque)